Black Lodge
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Quarta-feira, Outubro 31, 2007:
Uma história de final óbvio...*
-Olha que flor linda.
De todo aquele lugar de ruas e prédios imensos,
homens que possuíam carros caros e
mulheres de roupas sofisticadas e cabelos enormes,
aquela minúscula flor era a única coisa que me chamava atenção.
Ousada, de uma beleza extravagante.
Não tive coragem de arrancá-la. Não quis tocá-la.
Fiquei namorando da maneira que ela merecia.
De longe, intocavelmente.
-Olha, achei uma semente no chão,
podemos plantá-la naquele vaso vazio que temos em casa.
Será que nasce? - disse meu namorado, me tirando do transe.
Coloquei a semente no bolso,
meio desacreditada.
Aquele foi o final do verão.
Enquanto as folhas silenciosamente
abandonavam suas árvores no outono,
o meu vaso continuava vazio,
assim como minha esperança de ver algo nascer
nessa época em que tudo parece morrer.
Pensei em jogar o vaso fora
achando que um vaso vazio
só estaria na casa de uma pessoa vazia.
Mas algo me fez mantê-lo,
não saberia dizer exatamente o quê. Algo.
E então um dia eu acordei,
quando o inverno já congelava
todos os cantos do meu quarto
e os órgãos do meu corpo,
e vi um galho tímido nascendo daquela
terra negra e úmida.
Cheguei mais perto para constatar
e estava lá; um galhinho que parecia
tão frágil apoiando uma folha de uma cor forte,
quase fosforescente.
Enquanto toda Europa se preenchia
de árvores marrons e nuas,
eu era a única que podia ver um indício de vida aqui,
dentro da minha casa, dentro de mim.
*...para os que tem talento para vida
INGRID MANTOVANI // 8:51 PM
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Terça-feira, Outubro 16, 2007:
Aí vai o endereço onde você pode encontrar o
livro que citei lá embaixo do meu amigo Kyu... ops... Nick farewell:
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?sid=02335117691015616188085718&nitem=2224992
GO!
“Um homem escreve um livro. Ele acredita que, quando terminá-lo, todos seus problemas estarão resolvidos. Mas a vida não é tão fácil. Vai precisar aprender algumas lições antes. Entre elas, solucionar um amor mal resolvido, encontrar a verdadeira motivação para escrever e aprender, de uma vez por todas, como preencher seu buraco no peito, a metáfora persistente de sua interminável solidão. Este livro é sobre o porquê de nossa existência. Ambientado no universo de rock alternativo, as músicas se misturam com a vida do personagem principal, verdadeira alegoria e retrato de nossa juventude.”
E enquanto o livro não chega por aqui, espero ansiosamente recebê-lo pelo correio.
INGRID MANTOVANI // 7:55 PM
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Quinta-feira, Outubro 11, 2007:
La Nuit Blanche
Ontem foi La Nuit Blache em Paris.
Noite que se abre para a arte. Artistas,
comedores de fogo, mágicos e músicos
passeiam pela cidade trazendo luz à escuridão.
Eu não conseguia entender porque ela,
amante da noite, do dia e das noites-dias,
estava em casa.
Era um fio, fino e imperceptível
que envolvia todo o seu corpo,
dando voltas sinuosas entre
a cadeira, mesa, cama, banheira.
Ela estava lá, como Nástienka,
atada à própia casa.
Mas diferente dela,
nem a noite branca a fazia sair.
James Joyce diria que não há vida
para os que não saem de casa.
A frase não é exatamente assim,
mas o sentido é próximo.
Ela não discutiria com James Joyce.
Então ela descobriu porque
costumava sair tanto de casa,
perdida nas noites e nos copos.
Entre pessoas tão condenadas
ao grande nó de solidão quanto ela;
ela procurava a vida.
E ela encontrou muita vida,
mas também muita ruína.
Muito sentimento e também muita insipidez.
Muita pobreza e muita opulência.
Muito deleite e muita mágoa.
Ela mergulhou em todos, de cabeça e sem receio.
Esses excessos a iluminaram tanto
que agora ela não saia mais para procurar vida.
A vida a visitava todos os dias colocando
mais e mais fios invisíveis fazendo
com que tudo que fosse vivo se instalasse ali mesmo,
não muito longe da sua própria casa.
A vida estava em todos os lugares,
dentro e ao redor dela.
Tão radiante que todos podiam ver.
Aquela menina de alma escura,
estava ligada irrevessivelmente à luz,
fazendo com que ela própria fosse a Noite Branca.
E finalmente,eu entendi porque ela não saiu àquela noite.
INGRID MANTOVANI // 8:15 PM
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Sábado, Outubro 06, 2007:
Não deviam ser nem 3 horas da manhã
quando eu tomava o último gole
da minha vodka sem gelo,
e o sofá da funhouse insistia em me engolir.
Então, ele apareceu.
Sentou na minha frente
e conversamos sobre livros e poesias
por todo resto da noite.
Foi assim que conheci Nick Farewell,
mas que eu faço questão de chamar de Kyu.
Ele nem sabia o que fazia naquele momento,
mas a verdade é que ele me salvada
de ser engolida pelo sofá.
Depois disso, ele me contou
que estava escrevendo um livro.
Por conhecê-lo um pouco
já sabia que um dia ele o publicaria.
O Kyu, entre outras qualidades, é determinado.
E eu sou sortuda por conhecê-lo.
Adorava receber seus telefonemas,
nas horas mais inesperadas para a leitura de mais um capítulo.
Sim, eu sou privilegiada de ter o livro lido pelo autor,
palavra por palavra,
vírgula por vírgula
que viajavam pelas ondas telefônicas
e chegavam frescas deliciando meus ouvidos.
GO! era o meu livro vivo.
Segundo ele, eu mesma,
sou inspiração para uma das personagens.
Falo isso com prazer, pois se vocês
chegarem a conhecer a Ginger vão se apaixonar.
Ela é a mulher ideal,
um pouquinho de mim e muito da imaginação dele.
E por que estou escrevendo tudo isso hoje?
Bom, porque hoje, assim como eu esperava que fosse um dia,
é o lançamento do livro GO!
O primeiro passo para fazer o que o Kyu faz de melhor;
salvar as pessoas de serem engolidas por si próprias.
Gostaria muito de estar no lançamento,
mas fico feliz por saber que estarei lá de alguma forma.
INGRID MANTOVANI // 8:39 PM
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Terça-feira, Setembro 25, 2007:
No auge da minha adolescência,
aquela idade perturbadora em que eu olhava o mundo
através de um espelho côncavo,
meio deformado, meio grande demais,
enfim, nessa época, eu costumava acompanhar minha vó
a uma visita que ela sempre fazia a uma amiga.
Uma senhora de bochechas rosadas, pequena e sorridente.
Sempre nos atendia surpresa,
mesmo que fosse um encontro marcado.
Naquele dia, ela nos ofereceu café
e disse que ia terminar de lavar as roupas do seu marido em um minuto
e já vinha conversar conosco.
Eu sentei na escada que ficava um pouco distante
do tanque onde a pequena mulher lavava as roupas.
Conseguia vê-la entre as flores que ela cultivada.
Ela era feliz, eu podia ver em seus olhos.
Na minha ira adolescente eu a criticava por dentro.
Não entendia como alguém poderia ser tão negligente
em relação ao mundo e ser feliz com uma vida tão medíocre.
Os adolescentes são cegos,
apesar de acharem que enxergam mais que os outros.
Hoje eu a olho novamente dentro dos olhos da memória.
Através deles, ela ainda esta lá,
lavando as cuecas do seu marido
e eu a vejo entre uma margarida e uma dama da noite.
Eu observo os movimentos de suas mãos,
tão fortes que eu consigo ver as veias sobressaltadas,
um pingo de suor escorre na sua testa,
sua pele branca se torna colorada com o sol forte
e, mesmo assim, seus lábios têm a expressão do sorriso.
Penso que estava completamente enganada.
Aquela mulher não era uma estúpida,
muito pelo contrário.
Aquela mulher, tão linda em seus atos cotidianos,
tinha descoberto a sapiência na simplicidade.
INGRID MANTOVANI // 12:17 PM
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Domingo, Setembro 09, 2007:
Agora eu escrevo toda a semana no Blog da agência de turismo que me ajudou com a minha viagem para Londres, a Sem Destino.
O Blog é cheio de depoimentos sobre viagens e viajantes e entre um e outro texto você encontra as minhas experiências em Paris.
Vale a pena dar uma olhada se você pensa em viajar ou se simplesmente gosta dos meus textos. Mas já aviso que lá os textos são muito mais informativos que aqui.
O próximo sai na terça, e é sobre culinária francesa. Ulalá.
Os meus textos têm como título: Correspondente Sem Destino em Paris.
Au revoir.
INGRID MANTOVANI // 12:19 PM
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Sexta-feira, Agosto 31, 2007:
Meus ouvidos, meu coração e minha alma andam se deliciando com o mestre dos ouvidos, corações e almas; Cartola.
O Mundo É um Moinho
Ainda é cedo amor, mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Presta atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
E em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés
INGRID MANTOVANI // 12:24 PM
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Quarta-feira, Agosto 01, 2007:
Já falei que ser dona-de-casa é difícil?
Provavelmente nao, pois nunca fui de fato, mas é.
Comecando pela cozinha, já que comida é essencial.
Eu nao me lembro exatamente quando, mas cozinhar virou moda.
De repente todo mundo comecou a expulsar suas maes da cozinha, ou abandonar os cogelados
e colocar as maos na massa literalmente.
Receitas viraram assunto de bar, todos queriam entrar no curso de gastronomia e
a balada mais badalada, era chamar seus amigos para experimentar o seu pato com laranja.
Enfim, todos viraram apredizes de mestre-cuca da noite para o dia.
Eu nao tenho toda essa paixao pela cozinha,
mas confesso que gosto um poquinho.
Gosto mais pelo meu amor de comer do que pelo meu amor de cozinhar.
Quando estava em Londres e era responsável pela minha própria comida,
arrisquei umas receitinhas moderninhas
(porque, afinal, nao adianta só ser mestre cuca,
tem que saber fazer as receitas que estao na moda).
Mas agora, que sou "a própria dona-de-casa",
percebo que isso nao funciona muito bem.
Afinal se eu fizer aquela receita maravilhosa de
shimeji e portobello com manteiga e provolone,
ficarei faminta 3 horas depois.
Se optar pela deliciosa Paella,
acabarei com a comida restante na geladeira.
Por isso, se tiver que perguntar a alguem sobre o que cozinhar,
descarto todos os meus amigos-chefes-de-cozinha e procuro minha avó.
Ah, essa sim, minha cozinheira favorita.
Nao sabe nem o que é um shimeji,
mas faz o melhor arroz, a melhor sopa de feijao,
tempera a melhor salada e frita a melhor batatinha
....ahhhhhhhhhhhh sem esquecer o bolinho de chuva....Delicioso.
Ai, se eu fosse metade do que minha vó é
eu seria 30% da sabedoria.
Bom, agora tenho que ir,
porque sao quase duas da tarde
e eu tenho que fazer o almoco,
sobrou um pouco de carne de ontem e eu tenho
que usar a carne moída que está ficando velha.
Vamos ver como vou solucionar isso.
Já falei que ser dona-de-casa é difícil?
INGRID MANTOVANI // 1:41 PM
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Sábado, Julho 28, 2007:
Cidade das luzes, num dia que uiva
Ma Chérie,
Vou me apressar porque minhas calcinhas estao no varal e tenho que tirá-las antes de voarem.
Hoje venta e isso significa que elas podem sair passeando por aí.
A amarela, voaria por debaixo do Arco do Triunfo,
caindo no chao na Champs-Élysées
e sendo, finalmente, atropelada
por uma vespinha inocente que leva
um frances ao encontro da sua namorada chinesa.
Malheureuse!
A vermelhinha, que sempre foi mais atrevida,
iria para o topo da torre ver,
do alto, toda essa Paris pornográfica.
Hardie!
A branca, apressiadora de arte moderna,
iria diretamente para o Pompidou,
ficar sentadinha na apresentacao das fotos de Nan Goldin.
Acho que ela morreria lá, ao som de Bjork.
Solitaire!
Ah, quase me esqueci a de rendinhas,
essa, certamente, pousaria na janela
de algum frances tarado.
Ulalá, ele ia gostar, seria inspiracao por semanas
para-seja-la-o-que, que um frances tarado pode imaginar.
Putain!
A preta iria voar longe,
iria para La Père-Lachaise,
deitar sobre o túmulo de Proust.
Misérable!
Por isso, tenho que acabar a sua carta agora.
Porque está tudo lá no varal,
e se eu nao tomar cuidado, tudo voa.
Tenho que ficar atenta, pois esses dias tem ventado forte
e nao posso me dar o luxo de abandonar
fragmentos de intimidade nos cantos de Paris.
INGRID MANTOVANI // 8:48 PM
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Sábado, Julho 07, 2007:
Le Papillon
Cheguei quando ainda era verao. Verao estranho esse, pois chovia. Tentei persistir voando, mas os pingo eram tao grossos que minhas asas ficaram pesadas. Tive que pousar. Tao desorientada que estava (ou sempre fui), nao me dei conta onde minhas patinhas estavam pisando, mas meus sentimentos nao mentiam.
Eu senti aquela atmosfera de loucura, paixao, sexo, arte, orgulho. Que atmosfera forte! Aqui eu sinto que nao estou preparada, que nao sei lidar com as situacoes, que tudo eh mais inesperado que o normal, percebi que nunca cresci.
Resolvi ficar.
Esse lugar me dah medo…se sobreviver a isso, sei que posso pousar em qualquer outro lugar do mundo.
INGRID MANTOVANI // 10:35 PM
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Terça-feira, Maio 22, 2007:
Eu Sei Que Vou Te Amar
Vinicius de Moraes
Eu sei que vou te amar por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
desesperadamente eu sei que eu
Vou te amar e cada verso meu será pra te
Dizer que eu sei que vou te
Amar por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar a cada ausência tua eu vou chorar, mas cada volta
Tua há de apagar o que essa ausência tua me causou eu
Sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver a espera de viver ao lado teu por
Toda a minha vida.
INGRID MANTOVANI // 4:00 PM
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Quinta-feira, Março 08, 2007:
Sou atrevida, mas nunca havia tentado esse tipo de atrevimento: Amar a distancia.
Tem que ser atrevido para se amar a distancia. Tem que desafiar os continentes, oceanos, recursos naturais, diferencas climaticas e linguisticas, alem do proprio pensamento, que todos sabemos, eh traicoeiro.
Hoje em dia, essa eh minha luta diaria. Mas o que me faz seguir eh saber que isso tudo eh bem pequeno perto da minha vontade.
Ai que vontade grande, vontade adolescente, sofredora e enlouquecedoramente gostosa de amassar o mundo com as maos e fazer todos os lugares virarem um soh. Um unico lugar do mundo, e nao importa onde, que more somente voce e eu.
Mas por enquanto eu fico aqui, sentada, pensando quando serah sua proxima visita e lembrando que da ultima vez que nos encontramos, vc levou alguma parte de mim, talvez na sua bagagem de mao e espero que vc nao tenha esquecido na prateleira da Eurostar, porque sem essa parte (que eu nem conhecia ateriormente) nao estou funcionando apropriadamente. Sem voce, me sinto assim mesmo, como uma lanranja mecanica sem rumo.
Porem todo esse sofrimento vai embora em uma so flechada de olhar. Aquele olhar apaixonado que voce faz quando me ve depois de muito e muito tempo. Ai entao, voce devolve todas as minhas partes, eu me sinto inteira e maior e depois desse olhar, eu posso brigar com o mundo sem me preocupar, pq sei q vou vencer.
INGRID MANTOVANI // 9:02 PM
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Segunda-feira, Março 05, 2007:
Fragmentos de uma vida felliniana em Londres - Parte um
21:00 - Sentada em um Pub ingles, tomando cerveja Irlandesa, lendo o livro de um amigo coreano escrito em portugues, esperando minha amiga polonesa acabar de atender seu cliente frances.
02:05 - Continuo sentada, mas agora tomo uma cerveja Holandesa e estou conversando em portugues com um amigo brasileiro, enquanto minha amiga polonesa fala em polones com um amigo polones e um ingles observa as bocas se movimentando sem se atrever a entrar na conversa.
04:24 - Estou sentada em um restaurante turco com a amiga polonesa e sua amiga tcheca. Estamos tomando uma sopa de lentilha e um cha turco e perguntando ao garcom se ele poderia dancar musica turca para nos. Ele se recusa e convida a cozinheira do restaurante para participar da conversa. A cozinheira do restaurante turco, que fica aberto 24 horas, em londres e recebe uma brasileira, uma polonesa e uma tcheca as 4:24 da manha de uma segunda-feira eh uma polonesa cigana.
INGRID MANTOVANI // 11:05 PM
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Quarta-feira, Dezembro 06, 2006:
Quero fogo!
Dig For Fire
There is this old woman,
she lives down the road,
you can'm often find her...
..kneeling inside of her hole
and I often ask her
"are you looking for the mother lode?"
huh?
no.
no my child, this is not my desire
and then she said
I'm digging for fireeeeeeeeeeeeeeee
there is this old man...
...who spent so much of his life sleeping...
...that he is able to keep awake for the rest of his years
he resides
on a beach
in a town
where I am going to live
and I often ask him
"are you looking for the mother lode?"
huh?
no.
no my child, this is not my desire
and then he said...
...
...
I'm digging for fireeeeeeeeeeeeee
Pixies
INGRID MANTOVANI // 9:09 PM
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Segunda-feira, Dezembro 04, 2006:
OOOO pobre blog tao abandonado, ao mesmo tempo que escuto que eu deveria escrever mais e sem contar o fato de que preciso escrever mais mesmo pq estou esquecendo como se escreve palavras basicas em portugues. Resolvi postar algumas palavrinhas
Comeco de dezembro, 5 meses em Londres, tudo jah estah preparadissimo para o natal e as festas de fim de ano.
Eu ainda estou aqui, creescendo muito, mas com medo de ser adulta.
Mil decisoes a serem feitas, todos os dias e a emocao entra em conflito com a razao a todo momento. Mas minha razao eh confusa e o emocao sempre vence.
A cidade eh cinza e fria, mas tem muito imigrante com coracao acelerado de saudade e carencia para esquenta-la.
E os imigrantes se encontram e dao forcas.
As vezes eu gosto, as vezes eu amo, as vezes eu odeio, as vezes eu nao quero acordar, as vezes acho que ainda nao acordei.
Estou ouvindo the shins e lembro que conheci the shins pq assisti A hora de voltar. Nesse filme o personagem fala algo do tipo quando vc sai de casa a primeria vez, vc perde o seu lar, e depois, mesmo q vc volte, seu lar jah foi perdido.
me sinto assim, abri as portas do mundo e esqueci o caminho de volta.
Nao importa se vc gosta ou nao, simplesmente, nao tem volta.
Liverpool
INGRID MANTOVANI // 9:41 PM
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Sexta-feira, Junho 23, 2006:
Provavelemente, esse blog ficara abandonado por um tempo.
Cheguei em Londres e gostaria de escrever a respeito de todas experiencias que estou vivendo.
Um bombardeio emocional absurdo.
Mas a comunicacao aqui eh dificil.
so posso usar 1 horas de internet na biblioteca e meia hora na escola, com fila e etc.
Ontem conheci Notting Hill, vi o jogo em um Pub, conheci o rafa e aionda comi comida indiana. Muitas coisa nova para um dia soh, e tem sido a mesma coisa todos os dias.
Quando der escrevo mais
INGRID MANTOVANI // 2:39 PM
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Sexta-feira, Junho 02, 2006:
Há algum tempo, eu e o Alexandre costumávamos andar pelas ruas solitárias, nas manhãs ensolaradas, falando sobre: a vida, o futuro e, principalmente, nós mesmos e procurando florzinhas para comer.
Sim, nós comíamos flores. Isso poderia ser poético mas, na realidade, as flores eram gostosas e doces e acompanhavam nossas caminhadas filosóficas.
A flor escolhida era essa aqui:
Maria sem vergonha
O nome científico dela já diz muito a seu respeito: impatiens, que significa impaciente. Realmente esta espécie se alastra com muita rapidez e suas sementes saltam facilmente de suas cápsulas
Existem algumas plantas que são chamadas de Maria-sem-vergonha, mas as principais são as impatieus bolsamina e a impatieus walleriana.
A balsamina é originária da Ásia e a walleriana, originária da África. Produzem flores em várias tons de rosa, vermelho, laranja e branco.
Conhecidas também como beijo, são plantas rústicas que gostam de umidade, e adaptaram-se muito bem ao Brasil. Devido à facilidade com que aparecem e se propagam receberam o nome de Maria-sem-vergonha.
INGRID MANTOVANI // 7:39 PM
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Segunda-feira, Maio 15, 2006:
E enquanto o visto não chega, estou...
Trabalhando - o que é bom pq ocupa meu tempo assalariadamente.
Namorando - sei que não é muito inteligente esse negócio de começar a namorar antes de ir viajar, mas não nego que tem sido uma experiência incrível. Tudo tem gosto de ¿oi¿ e ¿tchau¿ e esse é um tipo de intensidade bem diferente de tudo que já senti.
Vendo filmes ¿ ontem vi o Cachè, talvez precise de mais algum tempo para absorve-lo direito. Deixo pra outro Post.
Lendo ¿ nesse momento A caixa preta de Amos Oz. Conversei com o Gabriel outro dia pelo msn e fiquei muito curiosa para ler algo do país onde ele está tentando a vida.
Curtindo ¿ meus amigos, minha vida, meu namorado, minha família, SP. Enfim, coisas e pessoas que já sinto falta por antecipação.
Muitas coisas para fazer enquanto se espera...
INGRID MANTOVANI // 4:05 PM
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Segunda-feira, Maio 08, 2006:
Quando era criança minha mãe me levava com ela, todas às tardes, ao bar. Ela sentava no banco do balcão e pedia a primeira entre muitas pingas. Começava nervosa, mas ia se abrindo conforme ia aumentando o número de doses pedidas. Os outros fregueses faziam insinuações e depois a apalpavam por cima do vestido fino de flores que meu pai havia dado a ela no último natal, antes de partir. Ela ria um riso forçado, não de alegria. Um riso de quem pede socorro. Aqueles homens não entendiam, infelizmente, não existe um dicionário tradutor das emoções fingidas das mulheres.
Eu sentava do lado de fora, na calçada, e jogava um daqueles joguinhos que a bolinha tinha que percorrer o labirinto para chegar no objetivo. E até hoje, quando acordo das minhas ressacas, me vejo naqueles mesmos labirintos, porém, sem objetivos.
Tarde da noite minha mãe me puxava pelo braço. Íamos para casa, cambaleando e ela chorava. Não entendia como alguém podia repetir uma ação que a deixa triste, diversas vezes.
Em casa, ela colocava no rádio Crazy Love do Van Morrison, encostava sua cabeça no travesseiro onde meu pai costumava dormir e chorava até a chama da vela se apagar.
INGRID MANTOVANI // 2:58 AM
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Sexta-feira, Abril 07, 2006:
Im so sorry
Você dorme tranqüilo ao meu lado. Eu faço carinho lentamente na sua cabeça e uma lágrima cai de mansinho no canto do meu olho. Ainda não tirei a roupa que cheguei, estou de blusa vermelha, tomara que caia e o meu colo está à mostra, sexy, branco, provocante. Sinto o cheiro de homem, e não é o seu. Mas você nunca perceberia que meu colo acabava de ser beijado, lambido, gozado, por outro homem. Mesmo assim eu tenho a cara de pau de deitar na sua cama. Essa cama sempre me traz paz, e você não imagina o que é, para uma cabeça conturbada, encontrar paz. Mas eu não consegui, não fui tão forte a ponto de me contentar com o tranqüilo. Eu olho seu rosto sereno e sei que está feliz comigo. Me sinto miserável. Chego pertinho do seu ouvido e canto baixinho uma música do smiths: im so sorry
Em minhas recordações sempre acabo cantando no pé do ouvido de quem eu gosto o refrão dessa música. Fracasso muito com os outros, mas muito mais comigo mesma. Meus erros parecem um disco riscado, que sempre param em um refrão triste.
INGRID MANTOVANI // 7:49 AM
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Quarta-feira, Abril 05, 2006:
Quarentena
Quando era criança costumava acompanhar minha avó nas suas visitas ao asilo. Íamos ver uma parente distante que os atos insanos já haviam dominado os lúcidos.
Asilo era eufemismo para um hospício de pessoas que não tinha dinheiro suficiente para pagar tratamento psicológico e em que os parentes não tinham, nem paciência nem tempo, de cuidar decentemente deles. Asilo era o nome simpático de um lugar em que as pessoas despejavam pessoas que se tornaram um incômodo para eles.
Eu era uma criança entrando em um universo completamente novo, de velhice, doença e abandono. È normal que tenha notado tudo com curiosos olhos enormes e registrado algumas coisas na minha memória.
Lembro nitidamente de um que homem virou a mesa de centro abruptamente e se voltou contra uma mulher que se encontrava a sua frente:
- Já falei para você não olhar para mim
- Eu não olhei, seu cretino.
Ele correu para violenta-a, mas os seguranças vieram amarrá-lo e ele dizia:
- Eu falei para ela não me olhar
Eu estava sentada bem perto e pensei que eles deveriam ter sido um casal anterior à loucura. E o que será que tinha vindo primeiro? Será que a convivência alimenta a insanidade ou o primeiro grau de loucura era persistir em um relacionamento?
Minha parente mesmo tinha poucos momentos de convívio sem começar a andar ininterruptamente por um campo aberto, olhando fixamente para o céu.
Eu estava sentada ao lado da minha avó, debaixo de uma árvore, quando avistamos uma senhora com a perna quebrada fazendo tricô quase ao nosso lado.
Minha avó sempre foi interessada em artes manuais, inclusive o tricô, e foi conversar com aquela senhora de bochecha cheias e rosadas, que parecia tão pacifica no meio de todas aquelas pessoas nada convencionais.
Começaram a conversar sobre pontos de tricô, a velha era realmente simpática, dessas que sorri com pequenas coisas e que nos sentimos bem de estarmos ao lado. Eu, com toda sinceridade infantil, falei:
- Mas você não parece como eles (olhando ao redor para as pessoas enlouquecidas)
Minha avó me olhou com olhares de repreensão, e a mulher com olhos de compreensão carinhosa. È curioso, quando se é criança, receber olhares tão opostos em uma mesma situação.
-Eu perdi meu marido e minha filha, quebrei minha bacia e não havia quem cuidasse de mim. Ninguém quer cuidar de uma velha desconhecida com a bacia quebrada. Então, me internaram aqui. Eu nunca recebo visita e não tenho contato com as pessoas daqui, só leio livros e faço meu tricô.
Eu comecei a olhar todos aqueles malucos que se encontravam na nossa frente e perguntei:
- Eles são felizes?
E ela me respondeu algo que não pude esquecer
-A felicidade não depende da sanidade mental, meu bem. Chegou aqui um homem que se irritava porque a cadeira era azul e não verde. Você acha que isso faz mais sentido que um homem que se irrita com outro no transito? Tudo depende do universo em que a pessoa vive. Aqui os carros não interessam, talvez a cor da cadeira interesse mais.
Aquela senhora era normal no meio de pessoas completamente desequilibradas. Quando saímos de lá minha avó disse enfática.
- Pobre mulher, ficará louca.
No momento não entendi, mas quando fomos na próxima visita vi a senhora de bochechas cheias, ela não fazia mais tricô. Eu e minha avó sentamos ao lado dela e seus olhos não tinham tanto brilho, estavam, na verdade, desvairados. Ela olhava para cima e para baixo sem se fixar em nada e respondia nossas perguntas monossilabicamente.
Estava nitidamente doida.
Aquilo confundiu minha cabeça. Se a maioria é louca, nos tornamos loucos também? Será que a maior epidemia que já contaminou o homem foi à loucura?
INGRID MANTOVANI // 5:53 AM
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Terça-feira, Março 21, 2006:
Comer cérebro humano é prejudicial à saúde.
A tribo Fore, da Papua Nova Guiné, para compensar as carências de proteínas, passaram a se alimentar dos membros falecidos da tribo. Os homens ficavam com os músculos, enquanto as mulheres e crianças, comiam seus cérebros. Porém no final do século XX foi descrito pelo velejador Helio Setti Jr. um caso de uma doença provocada por esta prática, que provocou a disseminação de uma doença localmente denominada kuru, a doença de Creutzfeldt-Jakob clássica. E adivinhe: A doença só atingia as mulheres e as crianças.
INGRID MANTOVANI // 4:43 PM
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Domingo, Março 12, 2006:
Linda inspiração para meu nome.
INGRID MANTOVANI // 4:52 AM
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Sábado, Fevereiro 25, 2006:
É possível?
Arder, mesmo depois de morrer?
Ao som de iron & wine, que conheci no trailer do filme Sobre pais e filho e o Lucas, meu querido, fez a gentiliza de me apresentar
INGRID MANTOVANI // 5:04 AM
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Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006:
Crime delicado, Beto Brant
Uma modelo sem perna, um artista e um crítico, jogados em um ambiente urbano, temperados de conversas de bar e pessoas solitárias.
Antonio Martins, o crítico, está acostumado a mulheres castradora, encontrada muitas vezes na arte. A mulher com interesses próprios e com a sua máscara de independência, até encontrar Inês, uma modelo sem perna, que, aparentemente, é frágil e dominada por um artista que, na visão limitada do crítico, usa sua deficiência como motim da sua arte . Conforme o filme vai caminhando, nossa opinião sobre o que é ser dominada e o que é dominar vai se alterando.
È muito fácil ser uma mulher ¿independente¿ quando não se tem nenhum problema aparente. É fácil por usar uma falsa segurança que disfarça os problemas e as fragilidade para os outros. Mas quando alguém tem algum problema nítido, como no caso da Inês que não possui uma perna, ou alguns outros problemas, como estar fora de algum padrão de beleza, descobre-se que esse tipo de feminismo é um embuste, que foge exatamente do que é ser um ser humano. A partir do momento que você assume suas fragilidades, e sendo assim, assume sua humanidade, a questão entre ser homem ou mulher parece ridícula.
Ahh, esqueci de falar, o artista é interpretado por Felipe Ehrenberg, artista mexicano, e as peças que aparecem no filme são dele também. Destaque para a cena de nudez entre ele e a atriz Lilian Taublib. Linda.
INGRID MANTOVANI // 6:08 PM
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Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006:
Para quem não sabe, as pessoas aí em cima são: minha cunhada e meu irmão, que resolveram ir viver no mato. Mato mesmo, sem internet, tv, telefone, e, por acaso, a luz chegou há pouco tempo.
Uma vida quase a la Zaratustra.
vou sentir saudade, não estou acostumada a desapegos.
INGRID MANTOVANI // 6:02 AM
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Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006:
Será que solidão é isso?
Estar só em uma noite fria, ouvindo chet Baker repetidas vezes e não ter alguém para observar? Produzir mil diálogos na própria cabeça que não chegam a sair da boca?
Ou ter a opaca certeza de que a compreensão dos outros é algo inatingível e a companhia que mais lhe agrada é ela mesma, a solidão?
INGRID MANTOVANI // 5:23 AM
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Sábado, Janeiro 28, 2006:
Diálogo com o Rafael a respeito da vaidade
Eu:
- Rafa, acho que mulher só é vaidosa mesmo para mostrar para a outra mulher. Homem costuma nem ligar para essas coisas, por exemplo, vc repara na cutícula de uma mulher?
Rafa:
- O que é cutícula?
INGRID MANTOVANI // 1:25 AM
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Quinta-feira, Janeiro 19, 2006:
Ao som de sigur ros
será o caminho certo?
INGRID MANTOVANI // 12:00 AM
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Quarta-feira, Janeiro 18, 2006:
Sobre a viagem
Lendo o blog do Regis Trovão sobre sua viagem para o Ceará, senti vontade de escrever sobre minhas aventuras no litoral sulista do Brasil. Talvez por causa da semelhança em relação à busca da boa música.
Cheguei lá certa de que ouviria muito rock, não sei porque tenho a impressão de que no sul se ouve mais rock que em outros lugares. São certas idéias pré-concebidas que não sei quando ou porque se formaram, mas insistem em morar em um lugar obscuro e pouco explorado na minha cabeça.
Porém, na primeira manhã de uma longa temporada na praia da armação, uma praia serena e linda de pescadores, sou acordada por uma música que não ouvia há muito tempo: dance.
Provavelmente a trilha sonora do meu primeiro beijo. Músicas que ouvia quando comecei a sair, quando comecei a ter amigas e quando não sabia que tinha escolha, achava que tudo era meu.
Achei q o vizinho fosse um maluco de mau gosto, mas comecei a perceber que a cidade (quase) inteira ouvia isso, carros alucinados com esse tipo de som no último volume, as baladas tocavam 7 vezes no mínimo as mesmas músicas e, o cúmulo, as bandinhas tocavam dance. Não vou ser cruel, havia uma outra opção, o funk carioca. Socorro!
E meu pedido foi atendido, no terceiro dia, fomos visitar o bar do Nelson. Um bar no fundo da praia Grande (todo litoral existe uma praia chamada ¿grande¿?). Discreto, com cadeiras de madeira do lado de fora e de plástico do lado de dentro.
Gostei de primeira do bar, fomos atendidos por garçonetes lindas e simpáticas além do comum. O Nelson mora na parte de trás do bar e em uma das conversas com o Rodrigo ( meu hospedeiro,. Rs) falou:
¿ Expulsei dois caras daqui que estavam batendo na mesa e zuando o ambiente. Não estou interessando no dinheiro que eles estavam gastando. Eles tinha que saber que estavam no lugar errado¿.
A banda estava tocando boas músicas. Eram: percursionista, guitarrista e voz. Mas conforme o tempo foi passando e o álcool foi subindo, eles abriram o palco para o público e logo começou a aparecer, saxofonista, violão, e, até, flauta. Bons músicos, que tocaram com tesão a tarde inteira. A overdose de música boa que eu precisava, embalando minha ebriedade. Me surpreendi com a voz do vocalista de uma banda que chama Vlad ( ele era o flautista também).
Identificação completa com o bar. Fomos lá quase todos os dias durante a noite para descansarmos de longas caminhadas desbravando praias esculpidas por artistas que nossa vã filosofia não teria a capacidade de reconhecer.
15 dias sem pensar em nada. Achei q poderia ser esse o caminho de estradas de tijolos amarelos que eu procuro, mas logo senti saudade. Das pessoas, esse mundo de gente que vai e volta e não sabe pra onde está indo. De pessoas malucas e perdidas, da sujeira, das ruas, dos cinemas solitários, correria e a charmosa tristeza paulistana. Enfim, senti saudade de mim.
INGRID MANTOVANI // 11:49 PM
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